10 de junho de 2013

#91: O Encargo

O táxi parou mesmo em frente ao hotel. Paguei a viagem e momentos depois entrei no hotel. O barulho dos saltos altos no chão de mármore interrompeu o silêncio. O recepcionista veio receber-me ao balcão.

Realizado o check-in, o simpático jovem deu-me a chave e indicou-me onde estava o elevador. Novamente o meu caminhar ecoou pelo hall do hotel. Entrei no elevador e subi ao quinto andar.
Quando cheguei ao quarto, atirei a pequena mala de viagem para cima da cama. Corri para a casa de banho. Sentei-me na sanita e segundos depois uma enorme sensação de alívio percorreu o meu corpo.

...

«Atentamente. Figueiredo Lopes, CEO», escreveu ele no final do texto. Depois perdeu uns minutos a ler toda a mensagem. Aquele era um grande negócio e não podia haver erros de nenhuma espécie. Finalizada a leitura, verificou o endereço do destinatário. Estava tudo correcto. Enviou o correio electrónico.

Era a última tarefa da manhã. Agora já podia ir tomar banho antes de ir almoçar. Ao final da tarde tinha duas reuniões muito importantes.

Despiu-se e deitou-se em cima da cama. Acendeu um cigarro e ligou a televisão. Foi fazendo zapping. Não havia nada de interessante. Pensou ir tomar banho. Lembrou-se de um canal de sexo. «Que se lixe!», pensou ele olhando para o relógio. «Ainda tenho tempo!». Parou no primeiro canal pornográfico que encontrou.

Ver aquele trio abriu-lhe o apetite. Excitava-o ver duas mulheres na cama com um homem. É uma das suas fantasias por realizar. E o sexo é o seu passatempo preferido. Não importava se é apenas ver um simples filme ou estar com uma gaja na cama. E aquele filme era mesmo bom. As tipas eram boazonas e tinham umas tetas espectaculares.

O seu corpo começava a dar sinais de contentamento, a julgar pela erecção que crescia dentro das cuecas. Não resistiu aos impulsos do prazer. Meteu uma das mãos dentro das cuecas e começou a masturbar-se.

...

Depois de satisfeitas as minhas necessidades mais básicas, despi-me e entrei para o duche. 

Quando entendi que já era hora, peguei na toalha e limpei-me. Depois sequei o cabelo. Seguiram-se os mimos diários ao meu corpo. Os meus cremes acompanhavam-me sempre. Uma mulher tem que cuidar muito bem de si.

Com a toalha enrolada ao corpo, fui até ao quarto. Abri a minha pequena mala de viagem e estudei todos os conjuntos que trouxe. Sempre tive muita dificuldade em escolher a minha roupa. Toda ela era linda. Estava indecisa entre o vestido vermelho e o negro. Deixei cair a toalha e agarrei no vestido negro. Era mais sóbrio. Não chamava tanto à atenção. Coloquei-me em frente ao espelho e encostei o vestido a mim. Depois fui buscar o vermelho. Optei pelo vermelho. Era mais justinho e mostrava melhor as minhas belas pernas.

Dei uma vista de olhos pela lingerie. Precisava de algo bastante arrojado. E mais arrojado que o conjunto vermelho não havia.

Coloquei o soutien com rendas. Depois vesti as cuequinhas rendadas. Eu adoro roupa interior com rendas. Torna uma mulher ainda mais sensual. Sentada na beira da cama, vesti as meias. Ajustei-as e depois coloquei o cinto de ligas. Com bordados e franzidos. Ajustei as ligas. Depois fui-me ver ao espelho. Estava super sexy com aquele conjunto. Estava quase pronta.

Pus o vestido e fui até à casa de banho. Abri a minha pequena bolsa de maquilhagem e comecei a transformar-me.

...

Estava satisfeito, apesar de aquilo não o saciar por completo. Mas era melhor que nada.

Apetecia-lhe ir almoçar. Mas antes tinha que tomar um bom duche.

Justamente quando saía do duche, alguém bateu à porta. Ele esperou que alguém se identificasse. Mas ninguém dizia nada. Aproximou-se então da porta.

“Quem é?”, perguntou ele.

“Room-service, senhor!”, respondeu uma voz feminina, do outro lado da porta

“Deve haver algum engano. Eu não pedi nada!”, respondeu ele abrindo ligeiramente a porta.

Arregalou os olhos. Aquela bela desconhecida devia ter-se enganado no quarto.

“Creio que talvez se tenha enganado de quarto, senhora!”, disse-lhe ele, escondido atrás da porta.

“Já que aqui estou … talvez possamos fazer qualquer coisa juntos!”, sugeriu-lhe ela encostando-se à ombreira da porta mostrando o seu magnífico decote.

Ele não respondeu. Via como aquele desconhecida se oferecia. E como subia ligeiramente o vestido. Depois daquele revigorante duche sentia-se como novo. E uma oportunidade daquelas não aparece todos os dias.

Abriu a porta e deixou-a entrar. Já não sentia vergonha por ter apenas a toalha enrolada à cintura. E ela pareceu não se preocupar com isso. Ele fechou a porta e ela sentou-se na cadeira que havia ao pé da cama. 

Ele ficou imóvel no meio do quarto. Ainda não estava a acreditar que aquilo tinha entrado no seu quarto. Afinal de contas o seu dia ia ser melhor do que o planeado. «Que se lixe o almoço!», pensou ele deixando cair a toalha.

Ela reparou na erecção dele. Era bom sinal. Era um espécimen vigoroso incapaz de resistir aos seus encantos femininos.

“Vejo que não gosta de perder tempo!”, disse ela enquanto se levantava da cama. “Pode-me ajudar com o fecho do vestido?”, perguntou ela virando-lhe as costas e levantando os seus longos cabelos.

Ele aproximou-se dela e abriu-lhe o fecho do vestido. Ela sentiu o sexo dele, bem erecto, a insinuar-se nas suas nádegas. A sua mão meteu-se entre os dois corpos e agarrou o membro dele. Era bem dimensionado. Começou a acariciá-lo. Ele beijou-a no pescoço.

Lentamente foi-lhe levantando o vestido. Ela parou de o masturbar para que ele a pudesse despir. Ele tirou-lhe o vestido. Queria tirar-lhe o soutien mas ela não o permitiu. Virou-se para ele e beijou-o.

“Não sejas apressado!”, disse-lhe ela.

“Tu mandas boneca!”, foi a sua resposta.

“Quero que te deites!”, ordenou ela.

Ele obedeceu prontamente atirando-se para cima da cama. Ela agarrou na sua pequena bolsa negra. Dali retirou um par de algemas e um lenço negro.

“Gostas de brincadeiras diferentes?”, perguntou ele sorrindo.

Ela respondeu-lhe com um enorme sorriso. Depois subiu para cima dele e começou a roçar-se nele. Até a erecção dele voltar novamente ao seu máximo esplendor. Ele colocou-lhe as mãos na cintura e ela tirou o soutien deixando à mostra os seus belos seios. Levantando-se um pouco, agarrou-lhe o pénis e introduziu-o dentro de si. Sentiu como entrava lentamente. Ela olhava-o nos olhos. A cara dele revelava já traços evidentes de prazer. Ela deu-lhe o que ele queria. Lentamente começou a cavalgar nele apoiando as suas mãos no peito dele. À medida que o tempo ia avançando, ela ia aumentando o ritmo.

Ele agarrava-a pela cintura e obrigava-a a aumentar o ritmo. E ela obedecia. A respiração de ambos era cada vez mais ofegante. Ele estaria a ponto de atingir o orgasmo. Era hora de parar.

“Não pares! Não pares!”, suplicou ele.

“Não estragues a minha surpresa!”, disse-lhe ela saindo de cima dele.

Ele ficou furioso. Afinal de contas estava quase a rebentar e tinha que parar. Ela agarrou nas algemas e, rodeando uma das barras da cabeceira da cama, algemou-lhe ambas as mãos.

“Não gosto muito deste tipo de brincadeiras!”, resmungou ele ao ver-se com as duas mãos algemadas. Mas deixou-se levar. Aquilo também o excitava. Parecia que estava num daqueles filmes que tanto gostava de ver.

“Vais ver como vais gostar da surpresa que tenho para ti.”, segredou-lhe ao ouvido.

Ao reparar que a erecção dele diminuía, levou o membro dele à boca e não o largou até ele atingir o orgasmo.

“Gostaste?”, perguntou-lhe ela.

Ele apenas balbuciava meias palavras. A actuação dela tinha sido excelente. Depois sentou-se em cima dele e introduziu o membro ainda erecto dentro de si.

“Avisa-me quando estiveres quase, está bem?”, pediu-lhe ela. Ele respondeu afirmativamente com a cabeça.

Estar na cama com um homem amarrado dava-lhe uma sensação de poder. E esse poder excitava-a. Transformava-se numa autêntica máquina de dar prazer. Podia fazer tudo o que lhe apetecesse. E todos eles gostavam de se sentirem dominados por uma mulher.

O tempo ia passando e os gemidos de ambos misturavam-se. Ela dançava em cima dele a um ritmo lento. Os seus seios balançavam ao ritmo do seu corpo. Ela sentia-se possuída. Fazer aquilo dava-lhe o dobro do prazer. Atingia o orgasmo muito mais rápido. E tinha muitos mais orgasmos. Por isso detestava aquelas monótonas sessões de sexo normal que muitos homens preferiam. Ela gostava de estar em cima. De controlar o ritmo. De mandar. Detestava quando tinha que estar de pernas abertas a olhar para o tecto. Ou quando a mandavam estar de quatro. Não desfrutava. Sentia-se suja.

“Mais rápido boneca! Mais rápido!”, pedia-lhe ele.

Ela obedeceu-lhe e aumentou o ritmo. Ele começou então a dizer todo o tipo de obscenidades que via nos filmes. E estava a adorar. Num movimento rápido, ela agarrou no lenço e passou-o por debaixo do pescoço dele.

“Avisa-me quando estiveres quase … por favor”, pediu-lhe ela entre gemidos e uma respiração cada vez mais ofegante. Ela estava quase. Ele também já deveria estar quase. Ela aumentou o ritmo. Montava-o como uma amazonas e o lenço no pescoço dele eram as rédeas que controlavam o seu cavalo. Ela sentia-o cada vez mais excitado. Contorcendo-se debaixo de si. Ele gemia. E ela acompanhava-o. Ela sabia que os gemidos de uma mulher excitavam ainda mais um homem. Ela gemia. E gemia cada vez mais. Mas não eram gemidos fingidos. Estava verdadeiramente a ter prazer. Quando as coisas eram feitas à sua maneira ela sentia um prazer verdadeiro. Ela forçava o seu corpo contra o dele. Queria que a penetração fosse ainda mais profunda. E misturava o sobe e desce do seu corpo com movimentos giratórios. Queria levá-lo à loucura. Mas ela queria atingir o orgasmo primeiro. Num movimento rápido começou a apertar o lenço. Viu como o rosto dele começava a ganhar tons mais avermelhados. Mas ela não parava. E ele não se queixava. Ela estava a ter bastante prazer com tudo aquilo. E queria proporcionar-lhe uma experiência diferente a ele.

Ele contorcia-se debaixo dela. E ela não parava. E apertava cada vez mais o lenço. Mas fazia-o lentamente. Queria prolongar o prazer.

Quando finalmente atingiu o êxtase carnal, soltou um longo gemido de prazer e deixou-se cair para cima dele. Depois soltou-lhe as mãos. Tinha sido um orgasmo longo e maravilhoso. Daqueles orgasmos que só acontecem de vez em quando e que deixam as mulheres fora de si.

A erecção dele ainda se mantinha mas, para ela, estava tudo acabado. Foi à casa de banho lavar-se. Vestiu-se e recolheu todas as suas coisas. Não lhe dirigiu a palavra. E ele também não lhe disse nada. Não havia nada para dizer.

Fechou a porta muito devagar e desapareceu ao fundo do corredor.

...

Fechei a porta do quarto e dirigi-me ao elevador. Tinha decidido mudar de vestido. E tinha perdido bastante tempo. Mas a vontade de ir às compras não tinha esmorecido. Sentia-me feliz. E uma mulher quando está feliz gosta de ir às compras. E também estava esfomeada.

Ao passar pela recepção, o jovem recepcionista lançou-me um sorriso. Correspondi e dos meus lábios saiu um “Olá! Boas tardes.”

Ao chegar à rua, afastei-me um pouco do hotel e tirei o telemóvel da carteira. Marquei o número que guardava na agenda e esperei que alguém atendesse.

“Correu tudo bem!”, disse eu quando atenderam a minha chamada.

Do outro lado ninguém respondeu. Mas eu sabia que tinha entendido a minha mensagem. Desliguei o telemóvel. Abri-o e retirei o cartão. Andei mais uns passos e atirei o cartão para dentro de um caixote do lixo.

Já não necessitava daquele número de telemóvel. Tinha cumprido o encargo. E o dinheiro já estava bem guardado.

Copyright © 2013 Pedro Toscano

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