20 de setembro de 2016

#127: Apaixonadamente Feliz

Estás mesmo à minha frente, sentada à mesa comigo. Impossível parar de olhar para ti. 

Por breves momentos, desvio o olhar. O local está cheio. O balcão repleto. Talvez não seja uma escolha afortunada. O pessoal dos escritórios das redondezas vêm todos lanchar à mesma hora. Mas este lugar é a meio caminho entre os nossos trabalhos.

Enquanto saboreio o meu café, recordo a última vez que estivemos juntos. Um mês, precisamente naquele sítio, mas na mesa ao lado. 

Estamos em silêncio. Não gostas muito mas sempre digo que em silêncio se transmite muito através de um olhar. Um simples olhar. Igual ao olhar com que agora mesmo te observo. 

Os teus olhos transmitem alegria, felicidade. Uma felicidade sincera. Sentes-te feliz por estar aqui comigo. Eu sei. Também eu me sinto feliz por estar contigo. O teu sorriso que me mantém prisioneiro desde o primeiro dia que te vi. As tuas mãos agarradas ao telemóvel para não se atirarem às minhas. E esse momento mágico quando os nossos olhares se cruzam. Esses segundos, breves instantes, que se congelam. Esse sorriso infantil de menina apaixonada que deixas escapar.  O arrepio que me atravessa o corpo. Os pelos dos braços que se eriçam. O coração que bate mais rápido. Os dedos que tamborilam o tampo da mesa. Esse momento em que, temos tudo, sabendo que em seguida voltamos a não ter nada. Esse momento em que tudo o resto deixa de ter importância. É tudo e não é nada. É como ver aparecer o sol num dia cinzento. Não sei explicar. Apenas sei que é algo que se sente poucas vezes na vida. O nervoso miudinho que se apodera das minhas pernas. O pé que bate ao ritmo do coração. 

Oxalá fosse pintor para poder imortalizar-nos num belo quadro. Oxalá...

O tempo passa depressa. Olho para o relógio. Já é hora de ir embora. A vida foi muito boa, ao colocar-nos no caminho um do outro. Mas muito cruel por não nos permitir caminhar juntos. E quando o horário de trabalho chegar ao fim, cada um de nós rumará a sua respetiva casa, às suas responsabilidades... até a saudade apertar novamente e nos levar a outro encontro. Que não demore muito...

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