16 de janeiro de 2013

#25: O Compromisso



Partilhávamos casa há quatro anos. Tínhamos tomado a decisão de viver juntos durante dois ou três anos para nos conhecermos melhor. E os anos foram passando. Éramos um casal quase perfeito. Como todos os casais, tínhamos as nossas discussões.

Ao fim de quatro anos juntos, deu-me um toque. «Temos que dar o passo!», disse-me ela. Depois de tantas vezes lhe ter perguntado se queria casar-se comigo e de me responder sempre o mesmo! «Estamos bem assim! Não tenho a ilusão de me casar pela igreja!». O que um tipo tem que aguentar.

“Porquê esta súbita mudança de planos?” - perguntei-lhe eu.
“Porque já lá vão quatro anos!”, respondeu ela fazendo uma pausa. «E porque a Manuela também já marcou o casamento”

Então aquele era o motivo! A dondoquinha da Manuela tinha marcado o casamento com a florzinha de estufa do Henrique. Éramos os últimos do grupo! Os últimos a casar …

“Ando há dois anos a perguntar-te se queres marcar o casamento e sempre me disseste que não.”, disse-lhe eu, levando o cigarro à boca.

Fez-se um silêncio profundo entre os dois. Ela baixou o olhar.

“Não quero que te sintas obrigado a fazê-lo.” disse-me ela.
“Agrada-me a ideia.”, disse-lhe eu. “Fico muito feliz por casar-me contigo!”, acrescentei tentando animar um pouco aquele momento frio.

Ela sorriu e, levantando-se da cadeira, deu-me um longo beijo. Mesmo ali no meio do café.

Nos dias seguintes, a nossa vida, voltou a ser o que era. Alegre, divertida, com discussões à mistura. Mas nunca mais se mencionou aquele assunto. E eu comecei a visitar as lojas de jóias. Queria comprar um anel de noivado diferente. Felizmente tinha um bom ordenado. Podia permitir-me um pequeno luxo!

Até que finalmente encontrei um muito bonito. Perguntei à menina da loja qual seria a reacção se o namorado dela lhe oferecesse aquele anel. Respondeu-me que, se o seu namorado o fizesse, ela ficaria super feliz. Na sua opinião, era um dos mais bonitos que tinha para vender. Pareceu-me honesta. Levei o anel comigo.

Naquela noite, quando cheguei a casa do trabalho, ela estava deitada na cama. Tirei a roupa e vesti o meu pijama quentinho.

“Comprei-te uma coisa!”, disse-lhe eu.
“O quê?”, perguntou-me ela entusiasmada.

Dei-lhe a pequena caixinha com o anel. Vi como os seus olhos brilhavam. Ela abriu o pequeno embrulho. E a pequena caixinha. Mas algo aconteceu. Subitamente o seu olhar mudou. Não parecia muito animada.

Uma série de possibilidades começaram a passar-me pela cabeça. Não gostou! Já não se quer casar!

“Se não couber no dedo, de certeza que se pode trocar!”, disse eu em desespero. Estava frustrado.
“Não é isso!”, disse-me ela.
“Não gostas?”, perguntei-lhe.

Vi como ela colocava a mão em várias posições. Vi como ela observava o anel que lhe tinha comprado. Mas não lhe vi alegria na cara …

“Esperava um anel com uma pedra maior.”, disse ela. “Igual ao da Manuela!”.

Aquilo deixou-me de rastos.

Copyright © 2013 Pedro Toscano
Fotografia de xedos4

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