Sinceramente, já não me lembro há quanto tempo a conheço. O único que recordo é que sempre fomos inseparáveis. Lembro-me dela quando era pequena. Via crescer. E continuámos a ser inseparáveis.
Sempre fui a sua companhia preferida. Íamos juntos para todos os lados. Dormíamos juntos. Partilhámos bons e maus momentos. Chorou abraçada a mim. Riu-se abraçada a mim. Adorava todos os momentos que passávamos juntos. Ainda recordo as suas carícias. E aquela vez em que tomámos banhos juntos. A mãe dela fartou-se de gritar quando entrou na casa de banho.
À medida que foi crescendo, continuei a ser o seu único confidente. Contava-me me tudo. Tudo! Sempre soube de todos os seus namorados. Eu era o único que sabia tudo acerca da sua vida. Ela era a pessoa mais importante para mim. Eu era a pessoa mais importante da sua vida. Éramos inseparáveis.
Adorava quando me olhava com ternura, enquanto me abraçava. Ainda tenho uma vaga recordação de todos os seus perfumes. Ela sempre cheirava bem.
Sempre tivemos uma excelente relação. Mas um dia tudo mudou. Ela deixou de se interessar por mim. Entrou outra pessoa na sua vida. Continuei a vê-la todos os dias e, de vez em quando, ainda dormíamos juntos. E nesses dias, ela dormia abraçada a mim. Era assim que ela gostava de dormir. Abraçada a mim. Mas já não era como antes. Já não havia o carinho de outros tempos. Eu era uma simples companhia que a ajudava a dormir.
Até que chegou o dia em que rompemos por completo. Ela mudou-se para outra cidade. Eu fiquei ali. Passava os meus dias numa total solidão. Não tinha amigos. Ela sempre foi a única amiga que tive. E a única que sempre quis de verdade. É certo que poderia ter feito outras amizades. Mas houve alguém que decidiu por mim. Fiquei sozinho para sempre.
Um dia disseram-me que ia fazer uma viagem. Pelo que entendi, ia morar para outro lado. Fiquei contente porque finalmente, pensei eu, ia ter com a única pessoa a quem queria. Apesar de ela me ter esquecido.
Mas as coisas não correram como eu esperava. Sem saber porquê, acabei ali naquele sítio. É certo que ganhei um amigo novo. Mas por pouco tempo. Vieram umas pessoas e viram o meu novo amigo. Não me quiseram a mim. Ele era mais novo que eu. Tinha o pelo mais brilhante. Eu estou um pouco mais sujo e arranhado. E sou mais velho que ele.
Ao menos que ele possa ser feliz. Tal como eu já fui. «Boa sorte, amigo!», segredei-lhe eu ao ouvido quando se ia embora. Lembro-me de o ter visto sorrir. Um sorriso de felicidade. Também eu já sorri daquela maneira … há muito muito tempo atrás. Agora passo as horas a chorar.
“Mamã, olha!”, disse a menina que passava de mão dada à sua mãe..
“Não mexas!”, ordenou-lhe a mãe. “Não se apanham coisas do lixo! Quando formos às compras a mamã compra-te um ursinho novo.”, acrescentou ela.
Copyright © 2013 Pedro Toscano
Fotografia de Salvatore Vuono
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