O resultado final estava nas suas mãos. Se defendesse aquele penalti, a sua equipa ganharia, pela primeira vez, aquele troféu. Seria a vitória mais importante daquele histórico clube.
Todos o observavam. Os adeptos do clube rezavam para que ele pudesse defender aquela bola. Os adeptos adversários gritavam para o desconcentrar. Estavam certos de que o seu avançado seria incapaz de falhar aquele remate certeiro. Afinal de contas, ele era o melhor marcador de todos os campeonatos nacionais. E não tinha falhado nenhum penalti em toda a temporada.
Os seus colegas encontram-se no círculo central. Abraçados. Com o olhar, procura o seu treinador. Vê-o ajoelhado junto ao banco de suplentes.
O adversário beijou a bola e colocou-a na marca. Ajeitou-a um pouco.
Durante segundos, todo o filme daquele jogo lhe passou pela cabeça. A outra equipa sempre ao ataque. Um autêntico massacre. Os seus estavam todos rebentados. Não aguentariam o prolongamento. Ele tinha que defender aquele penalti. Num contra-ataque tinham conseguido meter um golo. A única oportunidade ao longo dos noventa minutos. E souberam aproveitar. Sempre que podia, olhava para as bancadas. Via como toda aquele gente miúda e graúda vibrava. Estavam a ponto de vencer pela primeira vez aquela competição. Ele tinha que dar aquela alegria ao adeptos. Eles mereciam aquela vitória.
O avançado recuou cinco ou seis passos. Parou a olhar para a baliza. O guarda-redes estava no centro da baliza. Pisando a linha. Estava de braços bem abertos.
Ele nunca tinha falhado nenhum penalti esta temporada. Mas estava muito nervoso. Tinham conseguido vencer facilmente toda as outra equipas e agora estavam a perder. Perdiam ante um adversário claramente inferior. Ele tinha a responsabilidade de marcar aquele golo. Para continuarem a sonhar. Para que lado deveria mandar a bola? Um jogador do seu calibre não deveria ter dúvidas. Mas era exactamente o que se estava a passar. Não sabia para que lado mandar a bola. Aquele guarda-redes tinha defendido tudo o que havia para defender.
O árbitro olhou para os dois. Preparava-se para apitar.
O avançado estava quieto. O guarda-redes não se movia. O público ficou em silêncio. O árbitro tomou a sua posição. O avançado olhou para a bola. Depois olhou para o guarda-redes adversário. Milhares de adeptos esperavam ansiosamente para poderem festejar a vitória. Ou o golo. O guarda-redes observava todos os movimentos do seu oponente. O avançado fitava o guarda-redes.
O guarda-redes estava concentrado. A vitória dependia dele. Apenas dele. Ele tinha a possibilidade de tornar toda aquela gente em gente feliz. Proporcionar-lhes uma alegria que dure durante dias. Tornar aquele dia inesquecível. Ouve centenas de flashes das máquinas fotográficas. Sente o seu coração abater mais forte. Cada vez mais forte.
O árbitro fez sinal a ambos. Estava tudo pronto. Apitou para a marcação da grande penalidade.
O outro avançou lentamente em direcção à bola. O guarda-redes permanecia imóvel. De braços abertos. Sobre a linha. O avançado começa a correr. O guarda-redes continua imóvel. Tenta aguentar até ver em que direcção vai sair a bola. O avançado está a ponto de rematar a bola. O guarda-redes não se mexe. O avançado remata a bola. Os adeptos aguardam. Uns olham. Outros tapam a cara com as mãos. A bola sai disparada em direcção à baliza. O guarda-redes atira-se. A bola vem com velocidade. O guarda-redes estica-se. O atacante reza. O guarda-redes estica-se um pouco mais. O avançado reza. A mão do guarda-redes está a centímetros da trajectória da bola.
Ouve-se uma estrondosa ovação. Meio estádio está de pé a gritar. A outra metade não quer acreditar.
Copyright © 2013 Pedro Toscano
Filho da mãe!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Kkkkkkkk
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