8 de fevereiro de 2013

#43: Encontro. Desencontro.

Que bem estava eu sentado na esplanada. Estava bem até tu chegares.

Já não te suporto. Mas tu insistes em querer-me. Mas eu não te quero. Já te quis. Mas agora já não!
Tu estás sentada na mesma mesa que eu. Mas é como se não estivesses. Nem sei por que motivo não me levanto da mesa. Talvez por gostar deste sítio. É o único em condições nesta maldita cidade. Talvez por estar a desfrutar da cerveja. Talvez porque não me apeteça levantar-me. Talvez por não querer chatear-me.

Eu bebo a minha cerveja pausadamente. Tu tomas o teu café com leite. Deves ter saído da cama há pouco tempo. Sempre foste assim. Eu levantava-me cedo para ir trabalhar e tu ficavas na cama.

Noto o teu olhar de tristeza. Tu não vês ou não queres ver o meu olhar de indiferença. Já não me importam os teus planos de futuro. Eu já saí do teu presente. Sai tu também da minha vida. Não te quero. Já te quis. Mas agora já não!

Já te conheço todos os truques. Essa tristeza fingida. Essa maquilhagem a fingir uma cara de quem dorme pouco. Esse cabelo por arranjar. Tudo fingimento. Já não te quero.

Tentas chamar-me à atenção. E não queres ver o meu olhar de indiferença. Prefiro pensar na crise. Ou no desemprego que não pára de subir. Ou no meu clube que está à beira de ganhar mais um campeonato. Ou na loura que trabalha ali no bar. Prefiro pensar noutras coisas.

Já não te suporto. Não quero ouvir mais a tua voz. Cala-te. Vai-te embora. Já não te quero. 

Que bem estava eu sentado na esplanada. Estava bem até tu chegares.

Vai! Vai-te embora! Vai para os braços daquele que me substituía quando eu não estava em casa!

Copyright © 2013 Pedro Toscano

1 comentário:

  1. Dicen,del amor al odio solo hay un paso...
    Mejor no experimentarlo

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