Salvador estava sentado na sua poltrona. Diante da lareira acesa.
Na mesa a seu lado tinha um copo com brandy, a sua bebida favorita. Tinha colocado a sua música favorita. Não havia mais ninguém em casa. Salvador estava sozinho.
Antes de se sentar, tinha ido à sua biblioteca buscar um livro. O seu livro favorito. Escrito por ele. Não tinha muitas páginas. Tinha cerca de cento e poucas páginas. Não se considerava um grande escritor.
Tinha sido ele a produzir todo o livro. Tudo manualmente. Escreveu com letra bonita. Aparou todas as folhas. Fabricou as capas. Capas duras e com relevos a imitar os livros antigos. Tudo isto levou o seu tempo. Mas conseguiu!
Acendeu um cigarro e atirou o fósforo queimado para a lareira. Expirou o fumo. Com a mão que segurava o cigarro, agarrou o copo de brandy.
Com a outra, abriu o livro e começou a folhear. Pousou o copo na mesinha e levou o cigarro à boca. Depois colocou-o na borda do cinzeiro. Centrou-se no seu livro. O livro que retratava toda a sua vida. Página após página. Folha após folha.
Naquele admirável livro de capas duras, e de páginas em branco, Salvador lia o que tinha sido a sua vida ...
Copyright © 2013 Pedro Toscano
Sem comentários:
Enviar um comentário