10 de março de 2013

#45: Mensagens

Cada dia que passava sentia-me mais triste. Muito triste. Ela era tudo para mim. Cada dia que sobrevivia sem a ver era mais um dia de angústia.

Não conseguia concentrar-me. Não conseguia fazer nada. Apenas estava ali. Sentado. Olhando. Contemplando o único elo de ligação que tinha com ela. Passava os meus dias ali. Sentado. Observando. Esperando.

A nossa última vez já tinha sido há muito tempo. Mas tinha sido maravilhoso. Inesquecível. Era incapaz de esquecer-me de um único detalhe do seu corpo. Por muito pequeno que fosse. Era impossível esquecer. Ela era maravilhosa. Inesquecível.

Mas é hora de me levantar. Levantar e ir-me embora. Não posso continuar assim. Tenho que esquecer. Não posso continuar com isto. Estar horas esperando. Eu sei que ela está ali. Mas ela não quer estar. Não quer estar comigo. Não me quer. Não sei se alguma vez chegou a querer-me. Talvez me tenha querido como eu a quis. Mas agora já não. Tenho que a esquecer. Esquecê-la porque ela também já me esqueceu.

Oitenta. Não duas ou três. Oitenta. Todos os dias. Todos. Desde a nossa última vez. Oitenta.

Movi o rato do computador e fui seleccionando as mensagens enviadas. Uma a uma. Oitenta cliques. Oitenta mensagens enviadas. Oitenta mensagens sem resposta. Oitenta mensagens apagadas para sempre. Oitenta dias de angústia esperando uma resposta. Esperando uma mensagem de amor. Esperando um carinho. Nada. Nenhuma resposta.

Passo ao arquivo onde guardo todas as nossas mensagens. Meses de conversas. Meses de mensagens de amor. Paro um instante. Penso. Abro a pasta. Apetece-me voltar a ler todas aquelas mensagens. Trezentas mensagens.

Olho para o relógio. Olho para o monitor. Trezentas mensagens apagadas. Dois cliques. Já não existe nada. Tu já não existes em mim. Eu já não existo em ti. Já não existimos. Tu já não me queres. Eu queria-te. Mas já não te quero.

Mas continuo a sentir-me triste. Muito triste. Eras tudo para mim. Cada dia que sobreviva sem ti será mais um dia de angústia.

Copyright © 2013 Pedro Toscano

Sem comentários:

Enviar um comentário