11 de março de 2013

#47: A Desconhecida

Quando terminaram de fazer amor, ele sentou-se na beira da cama. Ela ficou deitada na cama. Esticou o braço e a sua mão acariciou-lhe as costas.

Ele não dizia nada. Ela observava-o. Em silêncio.

Depois levantou-se. Vestiu as calças. E depois a camisa. Apertou o cinto das calças. Sentou-se e calçou as meias. E depois as botas.

Ela observa-o. Em silêncio. Quer perguntar-lhe porque está tão calado. Mas decide ficar calada. Tal como ele.

Ela não pode ficar ali. Levantou-se e mostrou todo o esplendor do seu corpo. Colocou o soutien. Depois vestiu as cuequinhas. Ele olhava pela janela do quarto. Tinha nevado outra vez. As ruas estavam ainda mais brancas. A maioria dos carros não se reconhecem debaixo daquele espesso manto branco.

Ele passa as mãos pelo cabelo e deixa escapar um suspiro. Ela não diz nada. Veste os jeans apertados que se ajustam perfeitamente às suas curvas e em seguida calça as botas de cano alto.

Ele suspira outra vez. Ela veste a camisola de lã.

Ele volta a fechar as cortinas do quarto e olhou-a. Um olhar frio e distante. Mas ao mesmo tempo terno. Ela agarrou na carteira e colocou-a ao ombro. Aproximou-se dele e deu-lhe um beijo na boca.

Ele permaneceu imóvel enquanto ela saía porta fora. Ele olhou para o relógio. Era hora de sair do hotel. E na sua cabeça assombrava-o o medo de alguém lhe descobrir este descuido. Leva dois anos longe da família. Deixou a mulher e o filho na terrinha e veio em busca de um futuro melhor. Mas agora o seu presente tem, para sempre, uma mancha.

Definitivamente, não deveria ter aceitado passar a noite num quarto de hotel com aquela desconhecida.

Copyright © 2013 Pedro Toscano

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