Chego a casa. Ela já lá estava. Atiro o casaco e a pasta para cima do sofá. As chaves coloco-as na pequena mesa em frente ao sofá. Sento-me e ligo a televisão. Acendo um cigarro e espero.
Vejo-a a sair da cozinha. Acompanho-a com o olhar. Traz uma pequena travessa com comida. Olho para o relógio. Cada dia chego mais tarde. São quase as dez da noite.
Levanto-me do sofá e sento-me à mesa. Ela senta-se à minha frente. Começamos a comer. Não há palavras entre nós. Nenhuma conversa. Apenas comer. Quando os copos ficam vazios, ela pega na garrafa e enche os dois copos.
Terminamos a refeição. Recolhemos tudo. Ela fica na cozinha a lavar a louça. Eu sento-me novamente no sofá. Acendo outro cigarro. Fumei-o até ao fim. Ela chegou. Sentou-se no sofá. Eu vejo televisão. Ela folheia revistas cor-de-rosa. Não há palavras entre nós. Nenhuma conversa.
O filme chegou ao fim. Começou a publicidade. Ela continuava a ler as suas revistas. Levantei-me. Acerquei-me a ela e dei-lhe um beijo na testa.
“Já vais dormir?”, perguntou-me ela.
“Sim!”, respondi-lhe eu enquanto subia as escadas para o quarto. “Boa noite.”, acrescentei.
Ela acabará de ler as suas revistas e também irá dormir. Dormirá no quarto mais pequeno. E à noite, sucederá o dia. Outro dia. Outra vez a mesma rotina.
Copyright © 2013 Pedro Toscano
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É uma situação estranha. Difícil de descrever, mas bem escrita por você a tal ponto de eu sentir o clima. Parabéns! Quase troco o título: Solidão à dois.
ResponderEliminarGostaria de saber que outras interpretações este conto teve.
Um retrato aproximado de muitas "relações" dos nossos dias. Ha historias que escreves que não são do meu agrado mas esta, apesar de ser curta, agrada-me.
ResponderEliminarPaula