Ele saiu do escritório a correr. Olhou para o relógio. Faltavam uns cinco minutos. Tinham surgido complicações de última hora. Ia chegar atrasado.
Não é que chegar tarde fosse muito grave. Simplesmente era menos tempo disponível que tinha.
Quando chegou ao bar reparou que estava cheio. Entrou e com o olhar tentou encontrar a pessoa que o esperava. Não estava no andar de baixo. Subiu as escadas. Ali estava ela. Quando o viu a subir as escadas, ela lançou-lhe um sorriso. Aquele doce sorriso que ele tanto gostava. Tinha estado toda a manhã esperando por aquele momento.
Ela levantou-se para o cumprimentar. Ele chegou-se a ela e deu-lhe dois beijos. Depois passou-lhe a mão pelo rosto. Com suavidade.
“Como estás?”, perguntou-lhe ela, enquanto se sentava.
“O mesmo de sempre!”, respondeu-lhe ele sentando-se à sua frente. Pousou a mala e o casaco na cadeira ao lado. Tirou o telemóvel do bolso e colocou-o em cima da mesa.
Foi então que o silêncio se apoderou deles. Olhavam-se mutuamente. Ele pensava na última vez que tinham estado juntos. Talvez há três ou quatro semanas. Um mês talvez. Era normal encontrarem-se todos os dias. Depois, com o passar do tempo, os encontros foram-se reduzindo. Agora passavam semanas sem se verem.
Ela levanta-se e desce as escadas. Aproxima-se do balcão e pede dois cafés. Aguarda uns instantes. Paga a despesa e sobe as escadas com os dois cafés.
Ele deita todo o açúcar no café. Ela bebe-o sem açúcar. Não conversam. Apenas se observam.
“Como vai o trabalho?”, perguntou ela tentando quebrar o gelo.
“Normal! Tenho dias bons e outros mais complicados”, respondeu ele pousando a chávena.
Assim eram as suas conversas. Meias conversas. Nenhum dos dois sabiam muito bem o porquê daquele distanciamento. Ou talvez soubessem mas não queriam falar disso. Nem sabiam por que motivo continuavam a encontrar-se. Tinham estado bastante próximos. E agora estavam distantes. Mas ambos queriam continuar com os encontros. Mesmo que por escassos minutos, eram felizes. E por momentos esqueciam o motivo que os impediam estar juntos para sempre. Inconscientemente talvez, tinham optado pela segurança do que tinham nas suas vidas.
O tempo foi passando entre meias conversas e meias palavras acerca dos últimos acontecimentos das suas vidas. Interrompidos por longos períodos de silêncio. Mas era um silêncio que os olhares interpretavam de maneira diferente. Os seus olhares diziam muita coisa, ao contrário do silêncio.
Ela levantou a cabeça e olhou para o relógio colocado na parede atrás dele. Aproximava-se a hora. Tinha-se acabado a margem de tempo que ambos tinham para estar juntos sem levantar suspeitas. Cada um tinha que seguir a sua vida.
Levantaram-se das cadeiras em simultâneo. Ele vestiu o casaco e colocou o telemóvel no bolso. Sempre sem tirar os olhos dela. Agarrou na sua mala e começaram a descer as escadas juntos. As suas mãos tocaram-se levemente. Ele agarrou-lhe delicadamente a mão. Ela sentiu um ligeiro arrepio subir-lhe pelo corpo. Já tinha saudades daquele pequeno gesto.
Saíram do bar. Fazia frio na rua. Ele soltou-lhe a mão e subiu-lhe o fecho do casaco até ao pescoço. Ela sorriu. Aquele doce sorriso que tanto lhe agradava.
“Quando te vejo novamente?”, perguntou ela.
Ele olhou-a nos olhos. Detestava dar a resposta de sempre. Mas era a única que tinha.
“Quando possa, ligo-te.”, respondeu ele, acariciando-lhe o rosto.
Ele despede-se dela com um suave e ligeiro beijo na boca. Ela responde e durante breves instantes as suas línguas tocam-se. Depois, cada um segue o seu caminho.
Em direcções contrárias, tal como as suas vidas...
Copyright © 2013 Pedro Toscano
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