26 de abril de 2013

#74: Minha Querida Amante

Ao sair do trabalho, Ana decidiu ir tomar um café antes de ir para casa. Tinha ouvido falar de um novo bar ali perto. Não ficava em caminho mas decidiu ir conhecer aquele novo sítio.

Ao entrar, reparou, num grande grupo, lá bem ao fundo da sala. Havia vários homens e algumas mulheres. Estavam sentados à volta de três mesas e conversavam animadamente e em voz alta. Destacava-se a voz de uma mulher. Estava abraçada a um deles. Beijava-o repetidamente no rosto. Ele parecia estar a gostar da atenção que recebia. Uma daquelas vozes parecia-lhe familiar.

Quando o empregado se dirigiu a ela, pediu-lhe um café. Enquanto esperava, começou a brincar com o seu anel novo. Tinha sido uma prenda do seu amado. Mário era o tipo de homem com que sempre sonhou. Atencioso, muito carinhoso, alegre e bastante conhecedor de todos os seus desejos mais íntimos. Para ela, ele era, o homem da sua vida. Mas havia uma coisa nele que não a satisfazia. Ana não queria ser apenas a sua amante.

Quando o empregado voltou com o café, Ana parou de sonhar acordada. Despejou o açúcar e começou a dar voltas e mais voltas com a colher para misturar o açúcar. Voltou a dar mais atenção ao grupo. O tom das conversas tinha subido novamente de tom. A voz da loura voltava a destacar-se. Por casualidade, reconheceu o homem que recebia a atenção da loura.

Abriu a carteira e retirou o telemóvel. Viu as horas. Já passava das seis da tarde. Escreveu uma mensagem. Confirmou todo o texto. Levantou o olhar e olhou em seu redor. Enviou a mensagem. Levou a chávena à boca e bebeu um pouco de café.

O destinatário da mensagem viu o visor do seu telemóvel acender-se. Viu que tinha uma mensagem para ler. Mas não lhe deu importância.

Ao pousar a chávena, Ana reparou numa revista colocada em cima do balcão. Começou a desfolhá-la até encontrar um dos artigos que aparecia na capa. Agarrou novamente no telemóvel. Necessitava de uma resposta à sua mensagem. Abriu a lista telefónica e seleccionou um número. Fez a chamada a esse número.

O grupo ao fundo da sala continuava animado. Tinham pedido mais bebidas. O empregado aproveitou e recolheu os copos vazios.

O telemóvel tocou. Ao segundo toque desligaram a chamada.

Ana começava a ficar preocupada. Uma mensagem e uma chamada e nenhuma com direito a resposta. Retirou algumas moedas do seu porta-moedas e colocou-as em cima do balcão. Depois guardou o porta-moedas e o telemóvel. Era óbvio que não ia obter resposta. Continuou a ler o artigo que lhe tinha chamado à atenção.

Quando se preparava para devolver a revista ao seu devido sítio, o seu telemóvel tocou. Meteu a mão dentro da carteira e retirou o telemóvel. Abriu a mensagem. Leu-a três vezes. Não acreditava no que estava a ler. Atirou o telemóvel para dentro da carteira. Levantou o olhar. Pensou uns instantes. Agarrou na carteira e saiu apressadamente do bar. Estava furiosa. Mário tinha mandado uma mensagem dizendo que não podia ir ter com ela. Ia ficar no escritório até mais tarde. Uma reunião para preparar um excelente negócio.

Quando saiu à rua, o ar fresco da tarde fez com que mudasse de ideias. Ali mesmo decidiu que não queria esperar mais. O negócio que Mário tinha entre mãos parecia muito mais importante para ele.

E a ela não lhe apetecia continuar a ser a segunda da sua lista, ou talvez a terceira...

Copyright © 2013 Pedro Toscano

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