17 de abril de 2013

#67: Preciso de Uma Resposta

O despertador tocou.

A muito custo, estico um braço fora das mantas e desligo o maldito despertador. Abro um olho. Depois o outro. Vejo que já são as oito da manhã mas não faço caso ao relógio. Viro-me para o outro lado.
Dou com ele. A meu lado, deitado na cama.

A princípio não percebo o porquê de ele estar comigo na cama. Muito devagarinho, recosto-me na cama e esfrego a cara com as mãos. Doí-me a cabeça. Parece que quer explodir. Na mesa-de-cabeceira ainda repousa o maço de tabaco de ontem. Agarro-o e vejo que ainda tem um cigarro. Levo-o à boca e acendo-o com o isqueiro. Agarro o cinzeiro e coloco-o mais perto.

Levanto o olhar e apercebo-me do caos que reina no meu quarto. Roupa espalhada por todo o lado. A velha cadeira de três pernas descansa no chão e a pilha de livros que lhe servia de amparo jaz no chão. Havia sucumbido ao peso do monte de roupa que se acumulava em cima da cadeira. A correspondência metida por debaixo da porta revela que a dona Francisca não tinha entrado no quarto. Melhor assim … a pobre senhora teria um susto de morte se visse tudo aquilo. E de certeza que não lhe gostaria ver a quantidade de garrafas de cerveja vazias espalhadas pelo quarto.

Passo o dedo pelo botão de ligar/desligar e o portátil volta à vida. Segundos depois já estava ligado. Olho para o ecrã e lembro-me do que tinha estado a fazer. Lembro-me que tinha passado o dia de ontem esperando uma mensagem. E o dia anterior também. E o outro anterior também.

Levo dias sem sair de casa. E sem receber a mensagem.

Abro o correio electrónico. Decido escrever novamente outra mensagem. E esperar outra resposta. Não sei se aguentarei mais tempo. Esta ansiedade dá cabo de mim. Sei que não vou ter resposta. Mas preciso escrever.

«Preciso de uma resposta, por favor!», escrevo. Carrego no enter e a mensagem segue o seu destino.

Baixo a tampa do portátil. Esmago a ponta do cigarro no cinzeiro e deito-me. Cruzo as mãos atrás da cabeça e penso no que espero.

Penso em ti, Mafalda. Não sei por que motivo saíste da minha vida. Mas por favor, preciso de uma resposta. Diz-me se devo sair da tua vida … por favor!

Copyright © 2013 Pedro Toscano

Baseado num relato curto de Manuel Magalhães

 oo0oo

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