Helena saiu da loja a correr. Levava dois sacos em cada mão. Tinha decidido renovar o seu guarda-roupa, mas nunca pensou em demorar tanto tempo. Demorou demasiado e agora tinha que ir a correr para casa para preparar o almoço.
Para complicar mais a situação, não tinha a mínima ideia acerca do que queria preparar para o almoço. Tinha que ser algo rápido. Enquanto corria para o carro, olhou para o relógio. Tinha menos de uma hora antes que o Miguel chegasse a casa.
Quando chegou ao carro, pousou os sacos no chão. Abriu a carteira que levava à tiracolo e procurou as chaves. Abriu a porta e atirou os sacos para o banco de trás. Fechou a porta e retirou o telemóvel do bolso das calças. Abriu a porta e sentou-se. Colocou as chaves na ignição e começou a escrever uma mensagem.
«O que queres para o almoço?». Quando terminou, carregou no pequeno botão verde para enviar.
Atirou o telemóvel para o outro banco e ligou o carro. Meteu a marcha-atrás e saiu do estacionamento. Segundos depois tocou o telemóvel. Era uma mensagem. Abrandou um pouco e pegou no telemóvel. Era do Miguel.
«Hoje quero frango assado com batatas fritas e muita salada! Quero-te muito. ;) . Bjs»
Assim era mais fácil. Podia parar na churrasqueira que havia na rua das traseiras. Helena sorriu. Felizmente o Miguel não era um marido muito exigente.
De repente alguém apitou. Ia tão distraída a ler a mensagem que nem reparou que o semáforo já tinha mudado para vermelho. Felizmente o outro carro não avançou quando ficou com o seu semáforo verde. Helena travou a fundo. Ficou ali parada no meio do cruzamento. Sentia o coração a bater a duzentos à hora. Meteu a marcha-atrás e, olhando pelo retrovisor, foi recuando muito devagarinho, até deixar a via livre para os restantes carros passarem. Que susto!
Quando se recompôs do susto, procurou o telemóvel. Estava caído aos seus pés. Agarrou-o e começou a escrever outra mensagem. Apetecia-lhe escrever alguma coisa que tivesse piada.
«Adoro quando queres controlar tudo o que faço!»
De repente, o semáforo fica verde. Mas como estava parada um pouco mais à frente, não se deu conta. Os outros carros foram avançando lentamente. Ela continuava sem se aperceber. Só lhe faltava colocar o destinatário da mensagem.
Vários apitos soaram em uníssono. Foi quando Helena se apercebeu que já podia avançar. Correu rapidamente a lista de contactos e quando encontrou o nome do Miguel carregou duas vezes e enviou a mensagem. Atirou o telemóvel para o outro banco. Meteu a primeira velocidade e saiu dali o mais rápido possível.
Alguns minutos depois chegou à churrasqueira. Parou o carro e entrou a correr. Olhou para o relógio. Ainda tinha pelo menos de meia-hora para chegar a casa, mudar de roupa e preparar uma salada.
Quando chegou novamente ao carro, pousou a caixa com frango assado e as batatas fritas no banco. Reparou que o visor do telemóvel estava ligado. Havia uma mensagem. Sentou-se e colocou o cinto de segurança. Ligou o carro e saiu do estacionamento. A curiosidade, no entanto, era muita. Que será que tinha escrito o seu querido marido?
Aproximou-se ao passeio e desligou o carro. Pegou no telemóvel e foi ver a mensagem.
- Uma mensagem do meu chefe? Será que esta besta não se lembra que ainda estou de férias! - exclamou em tom de raiva.
«Ainda bem que gosta quando eu tenho o controlo das coisas. É esse o meu trabalho. Controlar o que fazem os meus empregados. Boas férias. Miguel»
- Porra! Porra! Porra! Porra! - exclamou Helena dando murros no volante.
Com a pressa, Helena, tinha seleccionado o nome do seu chefe … que por coincidência tem o mesmo nome que o seu marido. Apenas diferiam no apelido.
Abriu a lista de contactos e decidiu mudar o nome do seu marido. Assim nunca mais haveria confusões. E enquanto o fazia, um pensamento invadia-lhe a cabeça.
Helena pensava com que cara iria encarar o seu chefe. É que voltava ao trabalho no dia seguinte.
Copyright © 2012 Pedro Toscano
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