A Emília tinha falecido no início do ano. Quase há seis meses.
Os primeiros tempos foram os mais difíceis. Mas pouco a pouco foi-se habituando a conviver com o silêncio. Agora tomava o pequeno-almoço sozinho. Almoçava sozinho. Jantava sozinho. Tinha que ser ele a tratar de tudo … sozinho.
A sua relação com Emília sempre tinha sido muito forte. Eram muito mais que marido e mulher. Sempre foram bons amigos. Eram cúmplices em tudo o que faziam.
Infelizmente a vida não lhe tinha proporcionado filhos. Gonçalo ainda era novo. Tinha apenas trinta anos e ainda poderia casar-se outra vez. Mas ele sempre dizia que não voltaria a casar-se.
Um mês depois de falecer Emília, Gonçalo pediu à sua cunhada para ir lá a casa. Ele não tinha coragem de se desfazer da roupa dela. Apenas lhe pediu para a entregar a obras de caridade. Mas de um lugar bem longe. Não queria ver a roupa dela no corpo de outra mulher. E destruir toda aquela roupa era pecado.
No dia em que a Márcia lá foi a casa, o Gonçalo não se moveu do sofá. O irmão ainda o convidou para irem até ao café beber algo. Ele não aceitou. Preferiu ficar sentado a ver os álbuns de fotografias.
Quando Márcia terminou de arrumar tudo, desceu as escadas com três enormes malas e alguns sacos. Havia peças de roupa que ela iria queimar. Não seria de bom tom dar peças de roupa interior e outras coisas mais íntimas.
“Já terminei. Se encontrares mais alguma coisa, avisa-me.”, pediu-lhe Márcia dando-lhe um enorme abraço. Francisco também abraçou o irmão. Depois ajudou a mulher a levar as malas e os sacos para o carro.
Ao final do dia, quando entrou no quarto para ir dormir, viu o armário vazio. E as gavetas da cómoda também estavam vazias. A mesa-de-cabeceira vazia. De Emília restavam apenas as recordações, os perfumes e fotografias espalhadas pela casa.
Todas as manhãs quando se levantava, a primeira coisa que fazia era agarrar o telemóvel. E sempre via aquela mensagem. A última mensagem que a sua mulher lhe tinha enviado. «Amo-te muito!».
Emília tinha-lhe mandado aquela mensagem antes de voltar para casa. Tinha ido a Paris a uma reunião com clientes. O avião tinha chegado com atraso e o patrão tinha-lhe dito para ficar no hotel. Tinha sido um fim de semana cansativo. Ela não acedeu e meteu-se no carro. Uma hora depois, na auto-estrada, um filho da puta qualquer entrou em sentido contrário. Não conseguiu evitar a colisão e morreu no momento.
Seis meses depois, Gonçalo, ainda não sabia por que motivo mantinha ainda o número dela na agenda do telemóvel. Do outro lado já não havia ninguém para lhe mandar mensagens. Ou para lhe dizer que o amava.
Ler aquela mensagem atirava-o para a depressão. Nunca mais poderia sentir a suavidade da sua pele. Nunca mais poderia sentir as suas carícias. Será que valia a pena manter aquele número de telefone? Gonçalo não sabia responder ...
Os primeiros tempos foram os mais difíceis. Mas pouco a pouco foi-se habituando a conviver com o silêncio. Agora tomava o pequeno-almoço sozinho. Almoçava sozinho. Jantava sozinho. Tinha que ser ele a tratar de tudo … sozinho.
A sua relação com Emília sempre tinha sido muito forte. Eram muito mais que marido e mulher. Sempre foram bons amigos. Eram cúmplices em tudo o que faziam.
Infelizmente a vida não lhe tinha proporcionado filhos. Gonçalo ainda era novo. Tinha apenas trinta anos e ainda poderia casar-se outra vez. Mas ele sempre dizia que não voltaria a casar-se.
Um mês depois de falecer Emília, Gonçalo pediu à sua cunhada para ir lá a casa. Ele não tinha coragem de se desfazer da roupa dela. Apenas lhe pediu para a entregar a obras de caridade. Mas de um lugar bem longe. Não queria ver a roupa dela no corpo de outra mulher. E destruir toda aquela roupa era pecado.
No dia em que a Márcia lá foi a casa, o Gonçalo não se moveu do sofá. O irmão ainda o convidou para irem até ao café beber algo. Ele não aceitou. Preferiu ficar sentado a ver os álbuns de fotografias.
Quando Márcia terminou de arrumar tudo, desceu as escadas com três enormes malas e alguns sacos. Havia peças de roupa que ela iria queimar. Não seria de bom tom dar peças de roupa interior e outras coisas mais íntimas.
“Já terminei. Se encontrares mais alguma coisa, avisa-me.”, pediu-lhe Márcia dando-lhe um enorme abraço. Francisco também abraçou o irmão. Depois ajudou a mulher a levar as malas e os sacos para o carro.
Ao final do dia, quando entrou no quarto para ir dormir, viu o armário vazio. E as gavetas da cómoda também estavam vazias. A mesa-de-cabeceira vazia. De Emília restavam apenas as recordações, os perfumes e fotografias espalhadas pela casa.
Todas as manhãs quando se levantava, a primeira coisa que fazia era agarrar o telemóvel. E sempre via aquela mensagem. A última mensagem que a sua mulher lhe tinha enviado. «Amo-te muito!».
Emília tinha-lhe mandado aquela mensagem antes de voltar para casa. Tinha ido a Paris a uma reunião com clientes. O avião tinha chegado com atraso e o patrão tinha-lhe dito para ficar no hotel. Tinha sido um fim de semana cansativo. Ela não acedeu e meteu-se no carro. Uma hora depois, na auto-estrada, um filho da puta qualquer entrou em sentido contrário. Não conseguiu evitar a colisão e morreu no momento.
Seis meses depois, Gonçalo, ainda não sabia por que motivo mantinha ainda o número dela na agenda do telemóvel. Do outro lado já não havia ninguém para lhe mandar mensagens. Ou para lhe dizer que o amava.
Ler aquela mensagem atirava-o para a depressão. Nunca mais poderia sentir a suavidade da sua pele. Nunca mais poderia sentir as suas carícias. Será que valia a pena manter aquele número de telefone? Gonçalo não sabia responder ...
Copyright © 2013 Pedro Toscano
Fotografia de Naypong
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