3 de janeiro de 2013

#06: O Elevador

Abri a torneira e passei as mãos por água. Agarrei a toalha e sequei as mãos. Pendurei-a novamente. Ajeitei o cabelo. Ajustei o cinto negro que trazia à cintura e olhei-me novamente ao espelho. Adorava este vestido vermelho bem moldado ao meu corpo. Adorava este decote que deixava ver os meus seios.

Sentia-me uma mulher atraente. Cabelos louros lisos e sedosos que chegavam aos ombros. Dona de umas curvas perigosas e de uns lábios grossos e apetitosos. E um sorriso sexy e provocante.

Considerava-me uma mulher apetitosa e capaz de despertar os desejos a qualquer homem. E não era a única a pensar dessa maneira. Já tinha ouvido comentários de algumas colegas de trabalho, mencionando conversas de alguns homens que trabalhavam aqui no escritório. Despertava a inveja nas minhas colegas e ao mesmo tempo o desejo nos meus colegas. Sentia-me muito bem. E não tinha problemas com isso.

Tinha tudo no seu devido sítio. Olhei para o relógio, eram 17:20. Estava quase na hora de sair. Ainda dava para arrumar a secretária.

Saí da casa de banho. Olhei de relance e pude verificar como todos me olhavam. Dirigi-me à minha secretária. Abri uma gaveta onde tinha o meu pequeno estojo de maquilhagem. Coloquei-o dentro da minha bolsa. Olhei discretamente à minha volta e vi o Tiago olhando para mim. Vi como se levantava e caminhava na minha direcção. Baixei o olhar. Não queria que me visse nervosa ou impaciente. Tinha que agir com normalidade.

Parou em frente à minha secretária e deixou-me um pequeno dossier de capas vermelhas.

- Amanhã tens que falar com este cliente. Não o deixes escapar! - disse-me ele. Depois dirigiu-se novamente à sua secretária.

O Tiago era a mais recente aquisição da empresa. Era um estagiário a quem se lhe via muita vontade de progredir na empresa. Tem ar de ser um vencedor. Vem todos os dias bem vestido e, por onde passa, deixa um cheiro agradável no ar. Denota vigor e carisma. Já várias vezes tentei meter conversa com ele. Nunca me deu atenção. E isso deixava-me furiosa. E deixava-me com vontade de me arrojar aos seus pés e suplicar-lhe por uns momentos de prazer.

Considerava-me uma mulher bela. E estava casada com um homem também muito atraente. Somos felizes … mas o Tiago não me sai da cabeça. Passo o dia inteiro a pensar nele. Quando estou em casa imagino-me com ele a meu lado a preparar as refeições. Ou então sentados no sofá a ver filmes. Ou a passearmos na praia. Ele tinha algo. Algo muito especial que me fazia perder a cabeça. Algo que me deixava descontrolada. Com o coração a bater mais forte.

Abri o dossier e fiz de conta que analisava o historial do cliente. Mas, pelo canto do olho, controlava tudo o que o Tiago fazia. Foi quando o vi a levantar-se e a vestir o casaco. Preparava-se para sair. Era a minha oportunidade. Tinha que ser hoje.

Fechei o dossier e agarrei na minha bolsa. Tinha avisado o Manuel que ia chegar mais tarde. Mas quando o disse era por outros motivos. As coisas que tinha por terminar podiam esperar mais umas horas. Levantei-me e dirigi-me ao elevador.

A minha secretária estava mais perto da saída por isso cheguei primeiro. Carreguei no botão para chamar o elevador. Enquanto esperava, reparei que ele já estava atrás de mim. Eu rezava para mais ninguém sair naquele instante. Afastei-me um pouco de forma a poder olhar para ele. Vi que também me olhava. Ele sorriu e eu desviei o olhar. Um calor imenso subia-me pelo corpo. Devia estar corada. Quase de certeza absoluta que estava corada. E estava nervosa.

Ele era lindo. Era diferente. Era atraente. Tinha charme. Nos meus sonhos, sempre passeava os meus dedos pelos seus cabelos. Precisamente hoje ele tinha cortado o cabelo. Muito curto para minha tristeza. Parecia ter pele de bebé. Não se lhe notava nenhuma imperfeição no rosto. E aquele corpo escondido debaixo da roupa. No escritório andava sempre de camisa e gravata, mas dava para perceber que tinha um corpo musculado.

Comecei a sentir umas reacções anormais no meu corpo. E na minha cabeça só havia pensamentos obscenos. E íamos estar os dois sozinhos no elevador. Estar perto dele fazia-me sentir uma adolescente apaixonada.

- Já vais para casa? - perguntou ele

Tentei responder que sim mas não me saiu nada. Acenei afirmativamente com a cabeça e sorri. Ele emanava um odor que me excitava.

Quando se abriu a porta do elevador, o Tiago fez sinal com a mão para eu entrar primeiro. Agradeci-lhe com um sorriso. Carreguei no 0. Ele inclinou-se sobre mim e carregou no -1. Quando se inclinou, senti o seu odor com mais força. Inspirei rapidamente e deixei aquele aroma invadir o meu interior.

Estava habituada a causar sensações fortes nos homens. Mas isto era mais forte que eu. Estava a sucumbir aos encantos de um homem. E nem o Manuel tinha causado tanto impacto. Eu tentava controlar a minha respiração, mas os meus seios não paravam de subir e baixar à media que respirava. Sentia-me perdida. Queria que algo acontecesse mas não tinha coragem para avançar.

Encostei-me à parede e ficámos frente a frente. Ele olhava para mim. Eu sentia-me sem graça. Sentia-me presa na minha própria armadilha. Sentia um desejo enorme de me atirar para os seus braços. Sentia um desejo enorme de o beijar. Sentia um desejo enorme de parar o elevador e fazer amor selvagem com ele.

O Tiago não parava de olhar para mim. E o meu corpo não parava de pedir o seu corpo. E os meus pensamentos eram cada vez mais ousados. Mas eu não tinha coragem para avançar. Será que ele estaria receptivo ao meu avanço? Ele nunca me prestou muita atenção mas, agora não parava de olhar para mim. E também para os meus seios.

O elevador chegou ao 0. Aqueles minutos no elevador foram intensos mas não tinha acontecido nada. Não tive a coragem suficiente para avançar. Quando as portas abriram, esbocei um sorriso de despedida. De despedida e de tristeza por não ter tido a coragem necessária.

Quando saía do elevador, senti uma mão no meu ombro. Senti-me puxada outra vez para dentro do elevador. Voltei-me. Senti um braço a agarrar-me à volta da minha cintura, enquanto o outro me agarrava pelas costas.. Estava nos seus braços. Tinha sido apanhada de surpresa e antes que pudesse dizer alguma coisa, senti os seus lábios colarem-se aos meus.

Ficámos ali os dois naquela posição, durante uns segundos. Senti a sua língua a querer invadir a minha boca. Os meus joelhos tremiam. A sua língua penetrou a minha boca e tocou a minha. Ele puxava-me para si. Eu sentia a parede do elevador colada às minhas costas. Sentia os seus braços à minha volta. E sentia um enorme desejo a correr-me pelo corpo. Sentia-me possuída pelo desejo. Sentia-me excitada e assustada ao mesmo tempo.

Eu sentia como o sexo de Tiago se insinuava entre as minhas pernas. Sentia-me húmida. Deixei-me levar pelo prazer e entreguei-me a ele. Eu, que sempre gostava de dominar, desejava ser dominada. Não o podia evitar. As nossas línguas começaram a tocar-se dentro da minha boca.

As portas do elevador ainda estavam abertas. Parámos o nosso beijo e, Tiago carregou no botão para fechar as portas, antes que alguém chegasse. O elevador começou  novamente a descer em direcção à garagem do prédio. Tiago afastou os meus cabelos e, inclinando-se sobre o meu lado esquerdo, começou a beijar-me o pescoço. Sentia o meu corpo a ser invadido por espasmos que percorriam todo o meu corpo.

O elevador parou novamente e interrompemos o nosso abraço. Senti-me desiludida mas de seguida ele segurou-me pela mão e saímos do elevador. Caminhámos, em silêncio, de mão dada até ao seu carro.

Eu sentia o prazer crescer dentro do meu corpo. Mas também sentia o medo crescer. O que será que ele estava a pensar de mim? O que vai acontecer quando chegarmos ao carro?

Quando chegámos ao seu carro, ele meteu a mão ao bolso e retirou as chaves. Carregou no comando. Soltou-me a mão e abriu a porta da frente. Despiu o casaco e colocou-o no banco. Depois fechou a porta e abriu a outra. Estendeu-me a mão. Queria que entrássemos para o banco traseiro.

Eu não me conseguia mexer. Sentia-me paralisada.

- Não queres entrar? - perguntou-me ele, avançando na minha direcção.

Eu dei um passo atrás.

- Desculpa! Eu pensei que … - disse ele baixando o olhar para o chão e escondendo as mãos nos bolsos. - Não quero que penses que sou sempre assim. É a primeira vez que isto me acontece. Todos os dias te observo e vejo-te sempre tão bonita. E quando estávamos no elevador … perdi o controlo. Não pude resistir ao impulso de te beijar. Mas, se quiseres, podemos ficar por aqui. E amanhã fazemos de conta que não se passou nada.

Olhei-o nos olhos e reparei que se sentia desconfortável. Talvez pela minha reacção. Senti que estava a ser honesto. Ele sempre se mostrou uma pessoa íntegra. Nunca foi daqueles que falavam de mim pelos corredores. Realmente era diferente dos restantes.

Respirei fundo e avancei na sua direcção. Agarrei—me à sua cintura e beijei-o levemente na boca.

- Nunca ninguém me beijou daquela maneira. - disse-lhe.

- Que pena! - respondeu ele sorrindo.

Aquele sorriso fez renascer o desejo.

- Posso convidar-te para jantar? - perguntou ele.

- Não posso. - disse-lhe eu, - tenho o meu marido à espera!

Ele olhou-me para as mãos. Procurava a aliança de casada que nunca levo.

- Tu és casada?

- Sim. Há cinco anos. - respondi-lhe com um misto de orgulho e tristeza.

Tiago permaneceu imóvel sem saber o que dizer. Percebi que ele desconhecia a minha vida privada. Era um sinal evidente de que não participava nas conversas pelos corredores. Vi como deu um passo atrás e se encostou ao carro. Notava-o desiludido. Depois afastou-se do carro. Vi que queria sair dali.

Toquei-lhe no ombro e ele ficou quieto.

- Não te vás embora! - pedi-lhe com meiguice.

Ele voltou-se e vi outra vez aquele olhar. Um olhar de desejo.

- Posso beijar-te outra vez? - perguntei-lhe.

Vi como me olhava. Vi como me desejava. E sentia-me bem por ser desejada. Ele acenou com a cabeça, sorrindo.

Ele agarrou-me pela cintura e puxou-me para junto dele. Beijou-me. Beijou-me tão lentamente que conseguia sentir todos os movimentos da sua boca. Senti novamente o desejo a invadir o meu corpo. Os meus braços envolveram o corpo de Tiago e apertei-o com força para que ele pudesse sentir o meu corpo.

As nossas línguas exploravam as bocas. Ele chupou-me o lábio inferior. Eu explodia de prazer. Os nossos corpos apertavam-se cada vez mais. Adorava sentir o seu peito em contacto com os meus seios. Apetecia-me ir mais além. Comecei a desabotoar-lhe a camisa, muito devagarinho. À media que avançava, acariciava-lhe cada centímetro daquele peito peludo. Quando acabei, tirei-lhe a gravata. Ele começou a desapertar-me o casaco. E debaixo do casaco só havia o soutien. E o meu peito que não parava de subir e baixar ao ritmo da minha respiração cada vez mais ofegante. Depois, senti as suas mãos nas minhas costas. Conseguiu abrir-me o soutien com facilidade. As minhas mãos percorriam o seu peito. Ele parou de me beijar e a sua boca começou a explorar os meus seios. Afastei-me um pouco para lhe dar mais margem para explorar o meu peito. Sentia-me a ferver.

Soltei-me dos seus braços e encostei-me ao seu carro. Voltámos a beijarmos-nos furiosamente. O seu peito peludo apertando os meus seios.

As minhas mãos desceram lentamente pelo seu peito. Abri-lhe as calças e a minha mão começou a explorar um novo terreno. Sentia-o cada vez mais ofegante. E cada vez mais. Ele continuava a dar bastante atenção aos meus seios. Adorava sentir a sua boca. Adorava a delicadeza com que me dava suaves mordiscos. Adorava quando a sua língua percorria o meu peito. E, naquele momento em que ele começou a chupar com delicadeza o meu seio esquerdo, explodi de prazer. Não me consegui conter e gemi. Um gemido de prazer que saía do fundo da minha alma.

Ele beijou-me novamente, para abafar o meu gemido. As minhas mãos voltaram novamente a percorrer as suas costas. Senti as suas mãos acariciando as minhas nádegas. E foram descendo até chegarem ao ponto em que conseguiu levantar-me a saia.

Eu beijava-o cada vez com mais vontade. Apetecia-me explodir outra vez. Senti que me subia a saia até à cintura. Senti o frio do carro nas minhas nádegas. Senti o seu membro duro roçando-se em mim. Ambos respirávamos ofegantemente. Ambos desejávamos avançar. Senti a sua mão entrando nas minhas cuequinhas. Senti os seus dedos avançando lentamente. Com delicadeza. Senti como me tocavam no mais íntimo do meu corpo.

Segurei-lhe o rosto com ambas as mãos. Beijei-o como se fosse a última vez. Como se o amanhã não existisse. E depois afastei-o de mim.

- Hoje não Tiago! Fica para outro dia! - disse-lhe em tom áspero.

Baixei a saia e vesti o casaco. Tiago permaneceu imóvel encostado ao carro. Estava estupefacto com o que se estava a passar. Via-se que não conseguia reagir. Acabei de apertar o casaco e agarrei a minha bolsa que estava caída no chão. Aproximei-me dele e beijei-o levemente nos lábios.

Dirigi-me para o elevador. Carreguei no botão para o chamar. Segundos depois abriram-se as portas e entrei. Abri a bolsa e retirei o bâton. Carreguei no 0. Aproveitei o espelho que havia na parede do elevador e retoquei a pintura dos lábios. Arrumei tudo na bolsa.

O elevador parou no 0 e, com toda a confiança do mundo, saí do elevador. Percebi que, com a pressa, me tinha esquecido do soutien. Não era importante. Sentia-me satisfeita. Nunca nenhum dos homens que desejei resistiu aos meus encantos.

Copyright © 2012 Pedro Toscano

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