29 de janeiro de 2013

#33: A Executiva


Marta tinha a sua mesa repleta de papéis. Era a vice-presidente de uma multinacional e era normal ter dias bastante complicados. A sua secretária pessoal entrava e saía a um ritmo frenético. O seu telefone não parava de tocar.

Estavam a preparar a aquisição de uma empresa que lhes fazia concorrência. As ordens eram para não descansar enquanto a aquisição não tivesse terminada. Mas ela tinha outros planos.

Levava uma semana de loucos. Ela não entendia por que motivo tinha que estar implicada em tudo aquilo. A empresa estava recheada de excelentes advogados e economistas. Eles podiam tratar de tudo aquilo. O presidente parecia não ter a mesma opinião. Houve uma pequena discussão. Ele sabia que não se podia dar ao luxo de a perder. E ela sabia disso. Ninguém como ela conhecia aquela empresa. Ela começou a sua carreira ali e, ao contrário de outros, nunca virou as costas à empresa. Manteve-se fiel, mesmo tendo recebido propostas fabulosas.

Após a discussão no dia anterior, não só conseguiu obter um pedido de desculpas como ainda lhe foi permitido sair mais cedo. Tinha conseguido ter a tarde livre só para si. Graças a essa concessão, ia ter um fim de semana alargado. Só voltaria a ver relatórios e pesquisas de mercado na segunda-feira.

Ela adorava chantagear o seu chefe. Não o fazia por maldade. Não o fazia para obter dividendos ou subir de posto. Não! A chantagem era uma arma que só utilizava para motivos pessoais. Ele sabia que ela tinha sido abandonada pelo marido. Sim, ela foi trocada por uma mulher mais nova. Como se ela, aos quarenta e cinco fosse velha. Ainda estava na flor da idade. E sentia-se capaz de fazer tudo o que uma dessas miúdas de vinte anos fazia. E fazia-o melhor!

Quando chegou a hora, arrumou as suas coisas. Guardou o seu telemóvel na carteira. Desligou o computador. Percorreu o corredor e meteu-se no elevador. Nem se despediu do presidente da empresa.

Atravessou o estacionamento e dirigiu-se ao seu carro. Um belo desportivo vermelho. Tinha marcado para as três da tarde. Olhou para o relógio. Faltava meia-hora. Ainda tinha tempo de tomar um belo banho e mudar de roupa.

Quando estacionou o carro, abriu a carteira e agarrou um telemóvel. Era cor de rosa. O da empresa era negro. Marcou um número e do outro lado alguém lhe respondeu.

“Já cheguei ao hotel!”, disse ela. Do outro lado alguém lhe dava indicações. “Ok! Espero que desta vez me mandes um em condições. Já sabes que detesto músculos. Gosto de ir para a cama com uma gajo que saiba o que faz!”

Marta tinha sido trocada por uma mulher mais jovem e decidiu provar o sexo anónimo. Ao princípio era apenas pelo prazer. Agora já fazia parte da sua vida. Aos quarenta e cinco ainda tinha muito para dar … e para receber. Não se importava pagar bem, mas o gajo tinha que ser muito bom na cama.

Copyright © 2013 Pedro Toscano
Fotografia de Michal Marcol

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