3 de janeiro de 2013

#17: Um Insaciável Desejo

Falar de mim …

Sempre gostei de falar de mim. Não é que seja vaidosa ou goste de dar uma imagem que não corresponde ao que sou. Simplesmente gosto de falar de mim.

Já passei a casa dos quarenta, sou boa esposa e adoro a vida. Adoro todos os prazeres da vida. Todos! Sem excepção!

Não me considero uma maníaca por sexo. Ou talvez sim, não sei. A única coisa que sei é que a minha vida sexual diminui a cada ano que passa. E eu que sempre gostei de sexo! Não o sexo apenas pelo sexo. Tem que haver sentimentos. Sem sentimentos não gosto!

E, a culpa de não fazer amor com o meu marido, não é minha. Não sou hipócrita como algumas das minhas amigas. Sim … as que dizem que tiveram um dia muito cansativo, ou que lhes dói a cabeça. Quando vem a menstruação e não se pode … isso sim, é um bom motivo. Não é desculpa … é um motivo.

Eu adoro sexo, mas não sou tarada, nem ninfomaníaca. Há quem goste de comer hambúrgueres, outros só bebem água, outros só gostam de carros desportivos. Eu gosto de sexo!

De alguns anos para cá, o meu marido deixou de querer-me. Ao início pensei que tivesse alguma amiga ou que fosse o tipo de gajo que vai a um bordel para satisfazer os seus desejos e realizar as suas fantasias mais depravadas. Mas não. Ele não é desses. Simplesmente deixou de querer sexo. Recordo que quando estava disposto a fazer amor comigo, nem o pijama vestia, quando vinha para a cama. Agora deita-se sempre com o pijama vestido.

E eu sofro. Sofro porque adoro fazer amor. Sofro por ter um homem comigo na cama e não poder fazer nada. Parecemos dois bons amigos que partilham a mesma casa e dormem juntos.

Já lá vão mais de cinco anos desde que tudo isto começou! Nem sei como aguentei tanto tempo. E não … nunca contratei nenhum rapazote para me satisfazer. Sei de alguns bem jeitosos que até o fariam de borla. Mas nunca o fiz! Por uma questão de respeito. Mas atenção … respeito por mim. Recebi uma educação católica muito rígida e não vai ser agora que vou deitar ao lixo tudo o que sempre respeitei.

Prefiro outras soluções. Muito mais cómodas e discretas. Quais? Uma palavra basta para resumir tudo … masturbação! Sim, masturbação!

Adora masturbar-me. Adoro! Adoro! Adoro!

Tudo começou quando um dia fui às compras. Ao passar pela zona dos livros, a capa de um deles chamou-me à atenção. Larguei o cesto das compras e comecei a folhear páginas ao acaso. Passado alguns minutos dei comigo a ler uma página inteira. «Meu Deus … adoro isto!» pensei eu naquele instante. O meu corpo e alma estavam de tal maneira excitados que tive que apertar bem forte as minhas pernas. Só sei que quando cheguei a casa me dei conta que me tinha esquecido das compras. Por sorte ainda não estavam pagas.

A partir daquele dia, comecei a ler contos eróticos todos os dias. Mas leio poucas páginas. E leio poucas páginas porque me entusiasmo. E, quando me entusiasmo, tenho que me masturbar. Mas sem fazer muito ruído porque o desgraçado do meu marido está deitado a meu lado. O pobre desgraçado não sabe o que está a perder. E chamo-lhe pobre desgraçado porque estas leituras abriram-me novos horizontes. Novos lugares que nunca imaginei. Ou que nunca quis experimentar!

Sexo anal, por exemplo! Não é tão satisfatório como o sexo normal, mas serve para quebrar um pouco a rotina. E que sensações aquilo me produz!

Nos dias em que me apetece fazê-lo, deito-me na cama, muito quietinha para não acordar o pobre desgraçado. Depois começo a pensar em coisas que me excitam. Não … não penso em outros homens, nem em mulheres, nem mesmo no pobre desgraçado. Penso em mim …

Adoro fazer amor comigo mesma!

E sinto-me tão bem comigo mesma que quando acabo só penso em fazê-lo outra vez. Sinto um desejo insaciável. Às vezes apetece-me fazer uma e outra vez e outra e outra até apagar este fogo que arde dentro de mim. Fazer desaparecer esta luxúria de dentro do meu corpo.

Hummmm … estou a imaginar-me toda nua, deitada na minha cama, com os meus lençóis de seda, toda suada e sentindo o vibrador dentro de mim. Que bommmm …

De repente algo me despertou. Abri os olhos e vi-o a olhar para mim. Estava muito sério … e embaraçado.

- Desculpa-me …. Entusiasmei-me não foi? - perguntei-lhe eu.

- Não te preocupes! - respondeu-me ele.

Vi que ele olhava para o relógio. Já tinha terminado a minha hora. Levantei-me e fui buscar a carteira. Abria-a e retirei uma nota de cem euros para pagar a consulta.

Ele recebeu o dinheiro, entregou-me o recibo e recolheu as suas coisas. Instantes depois, quando ele se preparava para sair, fiz-lhe uma pergunta:

- Achas que isto tem cura?

Ele deteve-se por uns segundos e respondeu-me com um enorme sorriso:

- Na minha opinião de psicólogo? Não existe cura para os teus desejos! - respondeu ele com uma enorme gargalhada, fechando a porta de entrada atrás de si.

Eu bem sabia que não era doente. Não sou tarada, nem ninfomaníaca. Apenas adoro SEXO!

Tudo aquilo me tinha aberto o apetite. Fui fechar a porta à chave e fui alimentar os meus sentimentos.

Copyright © 2013 Pedro Toscano

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