A casa estava toda decorada. Na sala, havia um enorme cartaz que dizia “Feliz Aniversário Miguel”. Tinham vindo quase todos os meninos do bairro. Era o aniversário do Miguel.
Fernando, o pai de Miguel, passou os últimos dois dias a preparar aquela festa. A família atravessava momentos difíceis. Estava desempregado. Com muita dificuldade, conseguia chegar ao fim do mês com dinheiro na conta. Mas aquele dia tinha que ser especial.
Fernando, o pai de Miguel, passou os últimos dois dias a preparar aquela festa. A família atravessava momentos difíceis. Estava desempregado. Com muita dificuldade, conseguia chegar ao fim do mês com dinheiro na conta. Mas aquele dia tinha que ser especial.
Foi a Cristina, a vizinha da porta ao lado, que organizou tudo. Ela estava a par dos problemas de Fernando. Foi ela que falou com os restantes pais. Todos quiseram ajudar porque conhecem o Fernando. E conhecem o Miguel.
Ao princípio, o Fernando não queria aceitar. Era muito orgulhoso e não queria depender de ninguém. No dia a seguir, conversando outra vez com a Cristina, mudou de opinião. Naquele dia Fernando chorou. Chorou porque tinha perdido o emprego. Sentia-se inútil. Chorou porque não podia dar uma prenda em condições ao filho. Chorou porque não se sentia capaz de aguentar toda aquela pressão. Chorou … porque era a única coisa que conseguia fazer.
Foi a Cristina que organizou toda a festa. Mas Fernando fez questão de ser ele a preparar tudo. E ir fazer as compras. E quando os miúdos estavam na escola, Cristina ia ter com o Fernando e ajudava-o a preparar a comida. Fernando sentia-se feliz, apesar dos momentos difíceis que atravessava.
Quando chegou o sábado, tudo estava preparado. Como nos bons velhos tempos. Nos tempos em que Miguel era um menino feliz!
A um canto da sala, estavam vários embrulhos. Embrulhos de várias cores. As prendas do Miguel. A criançada estava toda de volta da mesa. Estavam ansiosos. Havia muita comida na mesa. Doces, sobretudo. Muitos doces.
Chegava a hora de cantar os parabéns. Fernando pediu um isqueiro e acendeu as velas. Então, todas aquelas crianças e adultos começaram a cantar. E Fernando chorou. Chorou de alegria. E chorou de tristeza. Cristina deu-se conta que o vizinho estava a chorar. Abraçou-se a ele. Limpou-lhe as lágrimas.
“Obrigado Cristina! Obrigada por tudo!”, disse-lhe ele comovido.
“Esquece isso! O mais importante é que o Miguel tenha um dia feliz.”, disse-lhe ela vendo o Miguel a cantar. “Tu também farias o mesmo por mim.”
Quando todos acabaram de cantar, Miguel ficou imóvel a olhar para as velas que ardiam. Uma menina ao lado dele segredou-lhe ao ouvido.
“Pede um desejo!”.
Miguel permaneceu quieto e calado, durante uns momentos.
“Papá, já posso pedir o desejo?”, perguntou Miguel ao pai.
Mas Fernando já não estava na sala. Tinha-se refugiado na varanda. Cristina foi atrás dele.
“Sabes qual é o desejo que ele pediu?”, perguntou Fernando a Cristina.
“Que a Maria volte?”, perguntou Cristina.
“Sim!”, respondeu por entre as lágrimas que lhe desciam pela face.
Fernando sabia que ela não voltaria. Tinha abandonado o lar o ano passado. Tinha fugido para França com o antigo namorado que morava na porta ao lado. E nunca mais deu notícias.
Ao princípio, o Fernando não queria aceitar. Era muito orgulhoso e não queria depender de ninguém. No dia a seguir, conversando outra vez com a Cristina, mudou de opinião. Naquele dia Fernando chorou. Chorou porque tinha perdido o emprego. Sentia-se inútil. Chorou porque não podia dar uma prenda em condições ao filho. Chorou porque não se sentia capaz de aguentar toda aquela pressão. Chorou … porque era a única coisa que conseguia fazer.
Foi a Cristina que organizou toda a festa. Mas Fernando fez questão de ser ele a preparar tudo. E ir fazer as compras. E quando os miúdos estavam na escola, Cristina ia ter com o Fernando e ajudava-o a preparar a comida. Fernando sentia-se feliz, apesar dos momentos difíceis que atravessava.
Quando chegou o sábado, tudo estava preparado. Como nos bons velhos tempos. Nos tempos em que Miguel era um menino feliz!
A um canto da sala, estavam vários embrulhos. Embrulhos de várias cores. As prendas do Miguel. A criançada estava toda de volta da mesa. Estavam ansiosos. Havia muita comida na mesa. Doces, sobretudo. Muitos doces.
Chegava a hora de cantar os parabéns. Fernando pediu um isqueiro e acendeu as velas. Então, todas aquelas crianças e adultos começaram a cantar. E Fernando chorou. Chorou de alegria. E chorou de tristeza. Cristina deu-se conta que o vizinho estava a chorar. Abraçou-se a ele. Limpou-lhe as lágrimas.
“Obrigado Cristina! Obrigada por tudo!”, disse-lhe ele comovido.
“Esquece isso! O mais importante é que o Miguel tenha um dia feliz.”, disse-lhe ela vendo o Miguel a cantar. “Tu também farias o mesmo por mim.”
Quando todos acabaram de cantar, Miguel ficou imóvel a olhar para as velas que ardiam. Uma menina ao lado dele segredou-lhe ao ouvido.
“Pede um desejo!”.
Miguel permaneceu quieto e calado, durante uns momentos.
“Papá, já posso pedir o desejo?”, perguntou Miguel ao pai.
Mas Fernando já não estava na sala. Tinha-se refugiado na varanda. Cristina foi atrás dele.
“Sabes qual é o desejo que ele pediu?”, perguntou Fernando a Cristina.
“Que a Maria volte?”, perguntou Cristina.
“Sim!”, respondeu por entre as lágrimas que lhe desciam pela face.
Fernando sabia que ela não voltaria. Tinha abandonado o lar o ano passado. Tinha fugido para França com o antigo namorado que morava na porta ao lado. E nunca mais deu notícias.
Copyright © 2013 Pedro Toscano
Fotografia de Ambro
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oo0oo
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um comentário. Só assim posso saber se gosta dos meus trabalhos. Se não
quiser, tudo bem na mesma ... e MUITO OBRIGADO pela visita!!!

Me pregunto de donde sacas tu las ideas para tus cuentos, cotilla!
ResponderEliminarÉs una historia triste, pero bien conseguida.
Besos.
Paula
Hola Paula!
EliminarMis cuentos cuentan cosas que suelen pasar a la gente ... sólo hay que estar atento.
Y muchas gracias por leer mis cuentos.