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Ali estava ela. Diante de dele. Sentados na mesma mesa.
Ele tinha-se ausentado do trabalho para tratar de uns assuntos. Burocracias e funcionários públicos. Ela encontrou-o rodeado de papéis. Ele estava ali porque necessitava tomar um café para descontrair e aliviar o stress. Antes de entrar já tinha fumado um cigarro. Maldita lei que proíbe fumar nos cafés. Com o frio que faz na rua!
Ela encontrou-o porque tinha escolhido uma mesa junto à janela. Coisa que normalmente não faz. Não é que ele tente esconder-se das pessoas. Acontece que hoje era a única que havia!
Teve que madrugar para conseguir chegar antes da hora de abertura. Antecipar-se à multidão. Depois de falar com três funcionários e quase chorar baba e ranho para conseguir uma resposta decente, saiu dali com uns quantos formulários para preencher e entregar noutro serviço. Maldita burocracia!
Estavam os dois. Frente a frente. Sem dizer uma única palavra. Mas ela estava linda. Ela é linda. Por dentro e por fora. A beleza exterior de uma pessoa é efémera. A interior é para sempre.
Ela era a mulher da sua vida. Ela sabia disso e ele também. Adorava passar horas a conversar com ela. Ela era uma pessoa divertida. Mas agora era impossível. Estava rodeado de papéis.
Ficou surpreendido ao vê-la levantar-se da mesa. Sempre pensou que ela ficasse mais tempo. E ficou com a sensação de que ela tinha algo para lhe contar. Conhecia aquele olhar triste e distante. Mas era impossível. Não podia interromper o que estava a fazer.
“Podemos falar mais tarde?”, perguntou-lhe ele. “É que tenho que terminar isto o mais rápido possível.”
“Não te preocupes! Falamos mais tarde.”, respondeu ela sorrindo. “Vejo que ainda tens para muito tempo e eu tenho que ir fazer uns recados.”, continuou ela.
Ela dava voltas e mais voltas na cama. Não conseguia dormir. Nem ele.
Ele acendeu o pequeno candeeiro da sua mesa-de-cabeceira. Sentou-se e olhou-a com um ar triste.
“O que se passa, Júlia?”, perguntou-lhe ele.
“Não se passa nada! Coisas minhas, querido!”.
“Algo se passa. Já andas assim há quase uma semana. Mais tarde ou mais cedo vais ter que me contar.”, disse-lhe ele puxando-a para si.
Ela deixou-se levar e deitou-se no colo dele. As lágrimas começaram a correr-lhe pela cara. Ele acariciava-lhe os seus cabelos.
“Não me sinto preparada para isto!”, disse-lhe ela.
“É uma coisa assim tão grave?”, perguntou-lhe ele tentando obter algum tipo de resposta que pudesse esclarecer todos os comportamento de Júlia durante a última semana.
Júlia chorava. Olhava para a parede em frente. Os seus olhos estavam imóveis.
“Estou grávida!”, soltou Júlia a medo.
Ele puxou-a para ele. Viu-lhe aquele ar de desespero. Ela olhava-o com um ar assustada.
“Pensavas que eu ia ficar chateado contigo por causa disso?”, perguntou-lhe ele admirado. “Porque havia de ficar chateado?”.
Ela saiu do seu colo e sentou-se na beira da cama.
“Porque não é teu filho!”
Ele tinha-se ausentado do trabalho para tratar de uns assuntos. Burocracias e funcionários públicos. Ela encontrou-o rodeado de papéis. Ele estava ali porque necessitava tomar um café para descontrair e aliviar o stress. Antes de entrar já tinha fumado um cigarro. Maldita lei que proíbe fumar nos cafés. Com o frio que faz na rua!
Ela encontrou-o porque tinha escolhido uma mesa junto à janela. Coisa que normalmente não faz. Não é que ele tente esconder-se das pessoas. Acontece que hoje era a única que havia!
Teve que madrugar para conseguir chegar antes da hora de abertura. Antecipar-se à multidão. Depois de falar com três funcionários e quase chorar baba e ranho para conseguir uma resposta decente, saiu dali com uns quantos formulários para preencher e entregar noutro serviço. Maldita burocracia!
Estavam os dois. Frente a frente. Sem dizer uma única palavra. Mas ela estava linda. Ela é linda. Por dentro e por fora. A beleza exterior de uma pessoa é efémera. A interior é para sempre.
Ela era a mulher da sua vida. Ela sabia disso e ele também. Adorava passar horas a conversar com ela. Ela era uma pessoa divertida. Mas agora era impossível. Estava rodeado de papéis.
Ficou surpreendido ao vê-la levantar-se da mesa. Sempre pensou que ela ficasse mais tempo. E ficou com a sensação de que ela tinha algo para lhe contar. Conhecia aquele olhar triste e distante. Mas era impossível. Não podia interromper o que estava a fazer.
“Podemos falar mais tarde?”, perguntou-lhe ele. “É que tenho que terminar isto o mais rápido possível.”
“Não te preocupes! Falamos mais tarde.”, respondeu ela sorrindo. “Vejo que ainda tens para muito tempo e eu tenho que ir fazer uns recados.”, continuou ela.
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Ela dava voltas e mais voltas na cama. Não conseguia dormir. Nem ele.
Ele acendeu o pequeno candeeiro da sua mesa-de-cabeceira. Sentou-se e olhou-a com um ar triste.
“O que se passa, Júlia?”, perguntou-lhe ele.
“Não se passa nada! Coisas minhas, querido!”.
“Algo se passa. Já andas assim há quase uma semana. Mais tarde ou mais cedo vais ter que me contar.”, disse-lhe ele puxando-a para si.
Ela deixou-se levar e deitou-se no colo dele. As lágrimas começaram a correr-lhe pela cara. Ele acariciava-lhe os seus cabelos.
“Não me sinto preparada para isto!”, disse-lhe ela.
“É uma coisa assim tão grave?”, perguntou-lhe ele tentando obter algum tipo de resposta que pudesse esclarecer todos os comportamento de Júlia durante a última semana.
Júlia chorava. Olhava para a parede em frente. Os seus olhos estavam imóveis.
“Estou grávida!”, soltou Júlia a medo.
Ele puxou-a para ele. Viu-lhe aquele ar de desespero. Ela olhava-o com um ar assustada.
“Pensavas que eu ia ficar chateado contigo por causa disso?”, perguntou-lhe ele admirado. “Porque havia de ficar chateado?”.
Ela saiu do seu colo e sentou-se na beira da cama.
“Porque não é teu filho!”
Copyright © 2013 Pedro Toscano
Fotografia de Marin
Fotografia de Marin
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