16 de janeiro de 2013

#13: Uma Companhia Perfeita



Aquele era um dos melhores restaurantes da cidade. E um dos mais caros também. Tínhamos combinado às nove e meia da noite. Antes de entrar, olhei para o relógio. Ainda faltavam dez minutos. Abri a porta. Ali estava ele. 

O empregado recebeu-me com um sorriso. 

Dirigi-me a ele. Depois de confirmar a minha reserva, pediu-me que o acompanhasse. Atravessámos o pequeno hall de entrada e entrámos na sala de refeições. Havia uma suave música ambiente no ar. Percorri a sala com o olhar. Nenhuma das mesas ocupadas tinha apenas uma pessoa. Ainda não tinha chegado.

Quando a vi entrar por aquela porta, fiquei maravilhado. Eu sabia que ela era especial. Mas nunca esperava algo assim. Acompanhei-a com o olhar. Estava bela. Os nossos olhares cruzaram-se e eu senti algo. Algo que nunca tinha sentido antes. Algo incrivelmente bonito. Uma daquelas coisas que talvez só aconteça uma ou duas vezes na vida de uma pessoa. 

Ela sentou-se à minha frente. O empregado, depois de a ter ajudado a sentar, retirou-se. Ficamos os dois a olhar um para o outro. Um misto de alegria, prazer e incerteza. Estava linda, naquele vestido negro. Um vestido justo que mostrava todas aquelas formas. Todas!

Durante quase duas horas conversámos. E comemos. E bebemos. Falámos muito. Falámos de coisas banais e outras menos banais. A comida estava deliciosa mas creio que ela, tal como eu, não lhe dava muita importância. Durante a refeição, as nossas mãos tocaram-se muitas vezes. E os nossos dedos cruzaram-se. Passámos largos minutos de mãos dadas. Estava a ser uma noite maravilhosa.

Os seus longos cabelos louros reluziam. E, no ar, notava-se uma fragrância suave. Era o seu perfume. Era um cheiro doce e que se deixava sentir. Um cheiro delicado e que lhe realçava a sua feminilidade.

Quando a refeição terminou, ficamos ali a olhar um para o outro. Tinha tanta vontade de lhe perguntar. Mas ela adivinhou o que me ia na cabeça. Levantou-se e deu-me a mão. Atravessámos a sala e saímos do restaurante. O empregado abriu-me a porta de acesso que dava para o hotel. Notei-lhe um sorriso maroto nos lábios.

Quando chegámos ao quarto, agarrei-a pela cintura e puxei-a para junto de mim. Abraçámos-nos durante largos minutos. E as nossas bocas colaram-se. A minha língua explorou a sua boca. Estava tudo a correr bem. Uma noite perfeita com uma companhia maravilhosa. Durante todos aqueles longos minutos, todos os problemas que existissem na minha vida desapareceram.

Os nossos corpos suplicavam que os libertassem das roupas. A nossa respiração era cada vez mais ofegante. O prazer invadia os nossos corpos.

Interrompi aquele beijo e aproximei os meus lábios ao seu pescoço. Dei-lhe pequenos beijos até alcançar o lóbulo da orelha.

"Quero-te! Quero-te muito." - disse-lhe eu ao ouvido. "Apetece-me passar a noite contigo!"

Ela sorriu e afastou-se ligeiramente. Tirou-me o casaco e deixou-o cair no chão. Começou a abrir-me a camisa. Lentamente. Botão a botão. O meu corpo tinha necessidade de prazer. E eu também!

Ela aproximou-se novamente e segredou-me ao ouvido:

"Nesse caso … são mil e quinhentos euros ..."


Copyright © 2013 Pedro Toscano
Fotografia de imagerymajestic


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